quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Entropia e uma extrapolação


Uma das variáveis mais importantes no estudo da física, química e das outras ciências naturais é a entropia. Sua interpretação não é muito simples, mas possui algumas particularidades muito interessantes. De forma bastante simplificada, uma delas diz respeito ao grau de ordem ou desordem (em nível de partículas) de um sistema termodinâmico em transformação. Se essa transformação for reversível, a variação da entropia do sistema e suas redondezas é igual a zero, e o sistema não aumenta em ordem ou desordem; se essa transformação for irreversível, a entropia desse sistema aumenta, bem como seu grau de desordem interna. A entropia de um sistema nunca diminui, e isso significa que, a não ser que haja uma influência externa, ele nunca vai se reordenar espontaneamente, e ao fim dessa transformação haverá uma certa quantidade de energia que está presente no sistema, mas não está disponível para levá-lo ao estado original.
Esperando não ser uma comparação bizarra, percebo que a vida humana também possui sua espécie de “entropia”. Baseio essa comparação em fatos análogos aos supracitados, com a ressalva que, de forma mais geral, os processos em nossa vida são irreversíveis e que frequentemente acrescentamos-lhe “desordem” e “bagunça”. Além disso, sempre parece que por mais energia que tenhamos e empreguemos para organizá-la e melhorá-la, nunca obtemos sucesso pleno. É o que o filósofo Lúcio Sêneca denomina vício ou tédio: a inconstância dos propósitos, a inquietação da alma frente suas próprias limitações, incoerências e falhas. Para completar a alegoria, penso na energia externa que pode restaurar um sistema ao seu estado inicial e original como a ação do próprio Deus.  


Cada um de nós possui seu grau de desordem, muitos lutam para corrigi-lo. No entanto, sozinhos não podemos ir muito longe – faz-se até uma ironia amarga o fato de criarmos mais desordem do que possamos dar conta. Deus, em Jesus Cristo, oferece sua graça: “Para isso se manifestou o filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (I Jo. 3:8b) e “Onde aumentou o pecado, transbordou a graça” (Romanos 5:20). Se o leitor reconhece que em sua vida há desordem que precisa ser desfeita, e talvez até já tentou desfazê-la com suas próprias forças, saiba que há um Deus que habita nos altos céus, mas também com o humilde de espírito que pode e deseja ajudar. Lembre-se de que, quando a terra estava “vazia e sem forma”, em meio ao caos e desordem, a Palavra de Deus criou ordem. Lembre-se do Amor que se personificou, e ainda hoje vem ao seu encontro de braços abertos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cristianismo de qualquer jeito?

Sucesso, prosperidade material, conquistas pessoais e conforto individual parecem bandeiras de alguma vertente capitalista, ou até mesmo de uma filosofia egocêntrica, como o Objetivismo de Ayn Rand. Mas não são só isso. São slogans de famosas e crescentes denominações ditas  evangélicas. E com tais pilares em sua teologia arrebanham multidões em busca de felicidade e fim do sofrimento pessoal. Deus, dizem eles (às vezes nas entrelinhas, às vezes descaradamente), tem a obrigação de cooperar para o sucesso pessoal de quem está comprometido com os “interesses do Reino”. Remetem à época das Cruzadas e das indulgências, reconfiguradas para um “segundo tempo”. Se aproveitando do fetiche brasileiro por amuletos, comercializam água, sal, rosas, lenços, lâmpadas, e uma infinidade de objetos que garantem o bom sucesso das campanhas pró-felicidade. E assim legitimam os anseios e cobiças mais bizarros, despertam o pior lado do egoísmo humano e deturpam feroz e sutilmente todas as mais essenciais bases dos ensinamentos de Jesus.
Muito longe disso, encontram-se Jesus Cristo e seu evangelho de amor e graça. Há dois milênios atrás, sua pregação já era subversiva e frequentemente gerava desde desconforto até extrema irritação. Não hesitou em virar as mesas daqueles que faziam comércio no templo de Deus, chamando-os de ladrões. Não titubeou ao sugerir que um jovem rico vendesse tudo o que possuía e doasse aos pobres para que então pudesse segui-lo. Sem eufemismos, disse a dois discípulos que queriam destaque que aquele que quer ser grande deve se tornar o menor, o servo de todos. Prometeu uma cruz a ser carregada a quem quisesse segui-lo e afirmou que somente mediante o arrependimento podemos ver o Reino dos Céus.
 Ao comparar esses discursos se percebe claramente que possuem diferentes freqüências, diferentes fontes. Soam diferentes porque possuem interesses e prioridades distintas. Não há relação entre eles e, ao contrário do sincretismo comercial assumido pela teologia da prosperidade, Jesus não admite coadjuvantes em sua obra salvadora: “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6). Só quem deposita extrema confiança e amor no dinheiro pode achar que alguns trocados ofertados podem nos gerar bênçãos divinas. O cristianismo inaugurado em Jesus aponta para uma vida inteira sob os cuidados de Deus. Aponta para o arrependimento de obras mortas e a reconciliação com Deus através de Jesus. “Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:26-28).

sábado, 13 de julho de 2013

Provocações

Muitas das questões/problemas do mundo pós-moderno, com respeito principalmente ao ser humano, têm como razão de ser a retirada de padrões (por exemplo, a não existência de certo e errado), ou ainda, a validação de inúmeros padrões (todas as possibilidades são corretas).  Faltam definições.
Um dos maiores enganos da filosofia pós-moderna é a desconstrução dos saberes, a relativização do discurso. Algumas das bandeiras dessa filosofia são: o preceito de que a realidade é pessoal, ou seja, eu tenho minha própria interpretação das coisas; e a segunda pressupõe o abandono da busca pela verdade. Quanto ao primeiro ponto, se eu sou “dono” da realidade (pelo menos da minha própria – que é a que importa), tenho que partir do pressuposto que sou perfeito, para que minha interpretação da verdade seja perfeita. Se não o sou, minha perspectiva estará distorcida, e provavelmente estarei deixando de perceber coisas. Quanto ao segundo ponto, está conectado ao primeiro, e mostrarei como. A negação de uma verdade absoluta é a própria condição necessária para que eu assuma a minha versão dos fatos como a mina verdade. Se eu aceitar que há uma verdade absoluta, externa a mim, seria incoerente ao me limitar à minha concepção das coisas.
Imaginando uma atitude completamente oposta à do pós-modernismo, teria que: 1) Existe uma verdade, um referencial absoluto; e, 2) Esse referencial não sou eu. Há, portanto, algumas implicações óbvias desses postulados. A primeira, e mais importante delas, é a de que posso estar errado, equivocado quanto à minha compreensão. Logo, devo estar disposto a “enfrentar” essa distorção da minha versão da realidade. Segundo, assumindo minha “distorção”, devo me dispor a buscar essa verdade que está fora de mim, e aceitar, em mim mesmo, que sou alvo dessa verdade, e que existo nela. 

Entretanto, se essa verdade externa existe, e se eu mesmo existo numa realidade que não é particular minha, como devo buscá-la? Sabiamente um filósofo afirmou que cada problema deve ser analisado à luz de uma ciência que o transcenda. Por exemplo, não posso empregar a matemática para resolver um problema biológico. Devo buscar a solução dentro da biologia. Mas, como classifico o problema da realidade? Certamente a realidade possui várias facetas, que compõe o mundo físico, que inclui as coisas que podem ser estudadas objetivamente – como as leis físicas, e o mundo metafísico, que inclui as idéias, os estudos da alma e da mente, e outros aspectos mais subjetivos.

Para essa busca da verdade, vejo duas soluções: ou eu parto do questionamento, e então conto com a “sorte” de fazer as questões certas que me direcionarão a essa verdade, ou parto de uma conceituação já estabelecida, e a avalio naquilo que puder, e assimilo suas leis. Há que se lembrar, entretanto, “que toda e qualquer ciência está contida ou em uma imanência lógica, ou em uma imanência dentro de uma transcendência, que ela não consegue explicar”. Ou seja, nem todas as coisas são explicáveis; em algum momento devo abraçar algum pressuposto.

Em seguida a continuação... / To be continued...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Geada em Pelotas!!

Em breve posto explicações sobre esse fenômeno meteorológico! Por enquanto, fiquem com algumas imagens:


domingo, 5 de junho de 2011

Musiquinha...

Sobre a Humanidade

“O espírito crê naturalmente e a vontade ama naturalmente, de modo que, na falta de verdadeiros objetos, é necessário que se apeguem aos falsos” (Pascal)



Tenho pensado muito ultimamente na condição do ser humano. Tenho lido um pouco sobre isso também, e admito que comecei pela parte “pessimista” do esquema.
O principal problema da humanidade é o fato de que nós não sabemos quem somos. Na verdade, fugimos ao máximo da pergunta e ainda mais da resposta. Minhas reflexões atuais estão direcionadas aos mecanismos psicológicos que nos orientam como ser: ações, pensamentos, sentimentos.

Quando afirmei que havia começado pela parte pessimista não estava brincando; tenho lido um pouco da teoria psicanalítica de Sigmund Freud, e para fundamentar meus argumentos vou fazer um breve relato do meu entendimento sobre a psicanálise até agora, e acreditem, é bem interessante:
Freud coloca o ser humano na condição do determinismo psíquico, ou seja, não há descontinuidades na vida mental. Nada ocorre ao acaso, e pensamentos, sentimentos e ações possuem causas que serão necessariamente conscientes ou inconscientes. Freud chama de consciente o conjunto das coisas das quais estamos cientes um dado momento. O inconsciente é composto pelos elementos instintivos não-conscientes, obtidos inconscientemente ao decorrer da vida, e que explicam algumas situações da nossa vida (forma como agimos ou pensamos) que aparentemente não possuem causa evidente. “Memórias muito antigas, quando liberadas à consciência, não perderam nada de sua força emocional” (Fadiman e Frager, 1979). O pré-consciente são partes do inconsciente que se tornam conscientes com facilidade (pois geralmente o inconsciente não está acessível à consciência).

Colocando de uma forma bastante resumida, Freud diz que a dinâmica mental é composta de duas etapas: tensão e alívio da tensão. Para isso, atribui-se ao fator que tem como finalidade reduzir a tensão o nome de pulsão ou instinto (pressão que faz o organismo tender ao um alvo). Instinto tem uma característica mais hereditária, de comportamento herdado e que pouco varia na espécie, enquanto que a pulsão passa por etapas mais complexas. Ambas possuem quatro componentes: fonte (de tensão), finalidade (reduzir tensão), pressão (força empregada no processo) e objeto(que inclui tudo o que permite a satisfação da necessidade, incluindo o próprio processo).

Freud também fala de dois tipos de instintos básico: a libido (originalmente denotando energia sexual, mas que depois passou a denotar instinto para a vida, frequentemente expresso na sexualidade) e o instinto agressivo (energia destrutiva), opostos entre si.

Na psicanálise o principal desafio à psique é encontrar formas de enfrentar a ansiedade (tensão). E isso pode ser feito enfrentado o problema diretamente ou criando distorções, os mecanismos de defesa. São eles:

• Repressão: afastar o problema da consciência;
• Negação: não aceitação de um ato que perturba o ego (parte “moral” da personalidade), do forma que a própria memória é subjugada;
• Racionalização: achar motivos aceitáveis para processos que nossa moral reprovaria (Ex: “Eu fiz isso para seu próprio bem”, pode expressar: ” eu quero fazer isso para você. Eu não quero que façam isso comigo. Eu até quero que você sofra um pouco” (Fadiman e Frager, 1979));
• Formação reativa: substitui o desejo real por um diametralmente oposto.
• Projeção: atribuir qualidades, sentimento e ações que se originam em si próprio a um outro ser. Ex: quando se diz “Os homens querem apenas uma coisa”, na verdade pode estar querendo se dizer “eu penso muito sobre sexo”.
• Isolamento: separar as o motivo da tensão do resto da psique, gerando indiferença a um assunto que, na verdade, produziria muita inquietação.
• Regressão: retorno a um nível de desenvolvimento anterior. Inclui: fumar, embriagar-se, roer unhas, quebrar leis, apostar, arriscar-se, etc.

Ao estudar isso muita coisa veio à minha mente. A complexidade inerente à nossa personalidade é realmente perturbadora. A nossa história compõe a nossa personalidade. Há tantas inquietações, tantas ações, pensamentos e sentimentos que se formam em nós e que nos perturbam e contra os quais lutamos, ou pelos quais nos condenamos, e dos quais nada sabemos senão o resultado final.
Falta sinceridade com nós mesmos. Falta autoanálise. Enquanto não nos conhecemos deixamos de ser aquilo para o qual existimos, a nossa identidade, e deixamos pra trás feridas abertas, situações mal-resolvidas, e uma existência cheia de vazio. Perguntas questionando nossas ambições, sentimentos com relação a nós mesmos e a outros, nossas tendências e inclinações, medos, a forma como satisfazemos nossas necessidades. Sem julgamentos prévios. As conclusões e a moralidade devem ficar para um segundo momento. Por exemplo, muitas vezes não admitimos que somos vingativos porque condenamos esse tipo de comportamento. Mas na verdade nossos sentimentos são profundamente vingativos, e nossa atitude de negação limita a nossa cura.

Quero encerrar citando Pascal (Pensées – Pensamentos):

“Quando não se sabe a verdade de alguma coisa, é bom que haja um erro comum que fixe o espírito dos homens, por exemplo, a Lua, à qual se atribui a mudança das estações, o progresso das doenças, etc. “

“É preciso conhecer-se a si próprio; se não servisse para encontrar a verdade, pelo menos serviria para regular a própria vida, e nada mais justo”.
“As coisas têm diversas qualidades e a alma, diversas inclinações, pois nada do que se oferece à alma é simples e a alma nunca se oferece simples em nenhuma situação. Disso decorre que se chora e se ri de uma mesma coisa.”

“Condição do homem: inconstância, tédio, inquietude.”

“Nós não nos contentamos com a vida que temos em nós e em nosso próprio ser: queremos viver na idéia dos outros com uma vida imaginária e para isso nos esforçamos em parecer. Trabalhamos sem cessar em embelezar e conservar nosso ser imaginário e negligenciamos o verdadeiro. E se tivermos tranqüilidade, generosidade, fidelidade, nos apressamos em fazê-los saber a fim de ligarmos essas virtudes a nosso outro ser e as desligaríamos de nós para acrescentá-las ao outro(...)”

“O homem não é anjo nem animal e a desgraça é que quem quer fazer o anjo faz o animal”

Referências bibliográficas:
- Teorias da Personalidade, Fadiman, J. e Frager, R., São Paulo: Harper e Row do Brasil, 1979;
- Pensamentos, Blaise Pascal, editora Escala.

domingo, 27 de março de 2011

O vício - The vice (below)

Saber definir emoções e sentimentos não é lá uma coisa fácil ou simples. Dissertar sobre elas ou concluir coisas acerca delas é ainda mais desafiador. Circunstâncias, lembranças e muitos outros fatores podem nos levar de uma emoção a outra, e, além disso, há aqueles momentos em que nos sentimos “estranhos”, desconfortáveis, etc. Realmente me instigam aquelas pessoas que aparentemente não se comovem com nada, não sofrem, não têm dias ruins, não se sentem “estranhos” às vezes. Me questiono se é assim mesmo ou se outras coisas se passam por trás de tudo.

Por várias vezes me pego analisando as coisas: observando pessoas, atitudes, modas, comportamentos e tendências. Observo também como o mundo gira, como as coisas acontecem ao nosso redor. Então me sinto vivendo uma realidade distorcida. Penso nas motivações dos nossos relacionamentos. Penso na “luta de classes”, na desigualdade social. Observo as pessoas ao meu redor (e me vejo nelas) e percebo como estão resignadas, acomodadas aos seus” destinos” tão carentes de vida. Parece que estamos destituídos de quem na verdade somos.

Lúcio Sêneca, filósofo latino, definiu essas condições que citei acima de uma forma que considero bastante completa:

Todos eles estão na mesma situação, tanto os que estão envergonhados por sua própria leviandade – pelo tédio e pela contínua mudança de propósitos, aos quais agrada sempre mais o que foi abandonado – quanto àqueles que relaxam e passam a vida bocejando. (...) São inúmeras as propriedades do vício, mas seu efeito é um só: o de aborrecer-se consigo mesmo. Isto nasce do desequilíbrio da alma e dos desejos tímidos ou pouco prósperos, visto que não ousam tanto quanto desejam ou não o conseguem. Dessa forma realizam-se apenas na esperança. Sempre são instáveis e volúveis. Por todas as vias tentam realizar seus desejos. Eles se instruem e se conduzem para coisas desonestas e difíceis e, quando o seu trabalho é frustrado, atormentam-se não por terem desejado o mal, mas por tê-lo desejado em vão.
Então eles se arrependem de terem recomeçado e temem recomeçar. Daí advém uma agitação que não encontra saída, porque não podem nem dominar nem se submeter aos seus desejos. Em conseqüência, reflete-se a indecisão de uma vida que pouco se expande e o torpor de uma alma em meio aos seus desejos fracassados.
(...) não suportando nada por muito tempo e fazendo das mudanças lenitivo para suas dores.

(trecho do livro “Da tranqüilidade da alma”,p.42ss, publicado pela coleção L&M POCKET)

Isso que mais me comove e incomoda quando reflito sobre a humanidade é o que Sêneca chamou de “vício” ou “tédio”. Quem de nós não se identifica, ao menos parcialmente, com os diagnósticos do filósofo? Quem de nós nunca teve seus desejos fracassados ou fez das mudanças lenitivo para suas dores?

Mas a questão principal é: até que ponto nos conformamos com isso? Até quando viveremos isso?


The Vice

Knowing how to define emotions and feelings is not an simple or easy thing to do. To expatiate about them or to conclude things about them is even more challenging. Circumstances, memories and many other factors can lead us from one feeling to another, and, furthermore, there are those moments in which we feel “strange”, uncomfortable, just to point some emotions. It really incites me those people who apparently are not moved by anything, who do not suffer, do not have bad days, do not feel “strange” sometimes. I ask myself if it´s really like that or if there’s something else behind that appearance.

Several times I catch myself analyzing things: observing people, attitudes, fashions, behaviours and tendencies. I gaze also the way world spins, the way things happen around us. Then I feel like I’m living a distorted reality. I think about the “class struggle”, about the social inequality. I observe people around me ( and I see myself in them) and I realize how resigned they are, comfortable on their lifeless “destinies”. It seems we are deprived of who we are.

Seneca, an Latin philosopher, defined these conditions I pointed above in a way I find very proper:

All are in the same condition, not only those who are troubled with fickleness and disgust and a constant change of purpose, who are always better pleased with what they have given up, but also those who are languid and sleepy. (…)Moreover, there are countless peculiarities of the disease, but only one effect,--to be dissatisfied with themselves. This arises from a lack of proper control over the mind, from faint-hearted and unrealized desires; on this account they either date not do as much as they desire or fail of success and live entirely upon hope, and are always fickle and vacillating, which necessarily befalls those who are in suspense in regard to the accomplishment of their wishes; they spend their whole life in this way and teach and compel themselves to use dishonorable and difficult means; and when their effort is without reward, useless disgrace vexes them, and they regret not that they have done wrong, but that they have wished for it in vain. Then repentance for what they have begun, and fear of beginning something new restrains them, and there gradually steals over them that vacillation of mind which finds no end, because they can neither command nor obey their passions, the dallying of a life which is not developing itself, and the dullness of a mind which is becoming torpid amid its disappointed hopes.
(…)enduring nothing long and using changes as remedies.

(taken from http://www.molloy.edu/sophia/seneca/tranquility.htm on 27th march, 2011 - Book “ On tranquility of mind” – De tranquillitate animi)

That thing, which most move and bother me when I think about humanity is what Seneca called “vice” or “fickleness”. Who of us do not identify, at least partially, with the philosopher’s diagnosis? Who of us has never had their wishes frustrated or used changes as remedies?

But the main question is: for how long will we be resigned to this? How far will we live this?